Mesmo que eu gritasse o que sou, o que quero da vida, nenhuma voz responderia à altura.
Eu sou o que imagino, sou o que me prende aqui, vivendo certezas e dúvidas, uma de cada vez.
Eu rasgo a folha do caderno e passo tudo a limpo quando as letras ficam cansadas e deprezadas num canto da margem direita.
Eu sou aquela nuvem que se desfaz a cada segundo, sempre formando um novo desenho.
Sou lápis, papel, caneta e giz de cera.
Sou as palavras contidas na certeza da minha verdade.
Tenho a esperança de mocinha de filme romântico, tenho a risada mais bonita quando o sol bate na minha janela.
Tenho a cara mais brava e o jeito mais chato, quando tô de mau-Humor.
Tenho riso e choro, sou a inocência, a clareza e a leveza de um beija-flor.
Sou aquela que canta sem saber a letra, que dança na frente do espelho e fala o que vem na cabeça.
Sou a transparência da água que se expande na piscina, mesmo sem saber nadar.
Eu nunca quis aprender a nadar. Nem morta eu aprenderia, me faltava o ar.
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