Escrevo em um moleskine descolorido e inodoro. Encontro-me em um limbo onde o que faço não importa muito nem para mim nem para quem quer que seja, como tantos mantenho um trabalho rotineiro onde como esta linha que não quebra nunca automaticamente, automaticamente sigo e ocupo com letras meu descaso. Em comunhão planetária e apartando-me de mim preencho meu tempo em uma múltipla exposição catódica, noturdiurnamente, no trabalho e em casa, filmes que os críticos dizem interessantes, textos eletrônicos de diversas fontes que me orientam sanitariamente da importância do diálogo nos relacionamentos, como comer, o que beber, como não ter câncer, como evitar filhos, e a largar meus perniciosos vícios, já que estes acabam comigo, com minha capacidade respiratória, meu discernimento, ao acelerar meu coração, minha corrente sanguínea e meus pensamentos. Em cristais líquidos assisto lindas fotografias líquidas, textos e filmes líquefeitos em altíssima definição e de ótima digestão, pois nunca sa