Acho que passei a maior parte da minha vida dormindo.
E ainda tem mais de onde veio isto.
Sei lá, mas tá tão bom esta sociopatia programada.
Ninguém pra ligar e dizer onde estou.
Ninguém pra ir comigo onde eu vou.
Ai fico a tarde na cama, rolo de um canto pro outro, leio um pouco de cultura pop e fico encaixando o Pinguim e a Tete nos cantinhos que sobram do meu edredon.
Aliás, dica sumpimpa.
Tenha um gato.
Eles sabem sorrir quando você desistiu disto.
E roçam o corpo no seu quando você se sente sozinho.
Mas eu quero continuar assim.
Vendo as coisas de fora.
E rindo um sorriso amarelo quando me perguntam o motivo da reclusão.
Não tem motivo, tem histórico.
E não cabe num poema.
Cabe numa canção.
Os amigos tem sido como um par de tênis velho.
É confortável, mas já está gasto e não se consegue mais limpar.
Hora de comprar outros pares.
E não é que até as tardes de sol podem ser bucólicas se você fica quietinho em casa.
Abre a janela e vai ouvir Ryan Adams.