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Magali Boaro

perdi a dentadura entre o verde do quintal
agora meu sorriso é tão vegetal
quando falo gafanhotos saltam
sobre sapos de cerâmica e creme dental

o céu da boca é tão azulejo
saliva lodo verde monet
formigas cavam dentro do beijo
que eu mandei pra você

a língua virou poleiro
os olhos chafariz
é preciso podar grama
todo mês no meu nariz

não tenho nada contra o nada
mas não sei me dissipar
o difícil de morrer
é não poder matar o tempo
(Carlos Moreira)

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