Eu não sei bem falar de mim. Sei falar da justiça que mando imperar no mundo, ou que tento espalhar no perímetro que me circunda. Sei falar da inocência dos meus gestos ou das minhas expressões, como da bondade que tento atribuir a todos e da maldade que em cada um reconheço. Falar de mim? Falar de mim é dizer como sou distraído, como não reparo se não no que ninguém repara. Falar de mim é dizer como sou bom a deixar passar datas importantes? Não sei bem falar de mim, mas sei dizer que acho que regras são para cumprir, o correcto é palavra que deve ser acção e a responsabilidade um verbo imperativo. Falar de mim é dizer-te o que gosto, o que não gosto, como reajo, como ajo, como digo, como falo... Falar de mim é dissertar sobre o meu reflexo

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