Sou obrigado a inventar
uma maneira de me deslocar
de respirar
de existir

num mundo que não é nem água
nem ar, nem terra, nem fogo
como saber de antemão
se é preciso nadar
voar, andar ou arder

Inventando o quinto elemento
o sexto
sou obrigado a revisar meus tiques
meus hábitos, minhas certezas

pois querer passar de uma vida aquática
a uma vida terrestre sem mudar a destinação
do seu aparelho respiratório
é a morte

(...)

Tudo deve ser reinventado
não há mais nada no mundo
(Ghérasim Luca)

Gente é mais ou menos como rio:
Tem os que gostam de perigo e se lançam de grandes alturas
Tem os de muitos braços que atiram pra todos os lados
Tem os de muitos redemoinhos que comem bois e gente
Tem os que gostam demais de si e viram lago
Tem os que só sabem correr parados
São os empoçados os pantaneiros os alagados
Tem os que transam com a terra formando ilhas
O fundo de alguns é de pedra. Tem os de peixes coloridos
Outros têm água clarinha. E tem gente córrego seco
E tem gente riacho escuro. A

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