É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.
Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim.
O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.
A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais....
Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então.