''Cântico Às Flores''
Ouça-me pequena...
Dália rosa pôr-do-sol
Ainda é noite, mas ouça-me,
Sombras negras ao meu redor
Cravos enfeitados por espinhos negros
Por que ainda não nasceu a alvorada?
Begônia-asa-de-anjo,
Faça-me ter plumas que flutuem o mar
Trago tão poucas penas,
Apenas sou um pássaro bebê
Begônia da luz da manhã, minhas asas...
Beijam-me ao cair das minhas lágrimas.
Açoca,
Minhas lágrimas fervem
Veja o meu rosto vermelho
Como são as cores de suas flores
Abençoa-me Kamadeva, peço-te de joelhos
A clamar por flores verdadeiras, as do jardim alvo.
Papoila,
Se calhar de'u prová-la
Peço que não se enfureça comigo
Suas flores são doces amores, necessito-as
Em meu interior a amar o meu afável coração.
Tulipa,
As ruas por onde vou são tão negras,
Pinte-as com as suas cores intensas
Minhas ruas são as solitárias, estão vazias
Elevo as mãos aos olhos, já seco uma vã lágrima.
Gerânio,
Pincelarei num quadro
O meu ânimo que agora está