Moldura
Se eu pudesse emoldurar o silêncio
Como fez Oswald em “Atelier”
Eu o faria
Para dizer muitas coisas...
Que diria ao tempo?
Que já não há tempo a perder?
Que o tempo passa,
E que nós passamos com ele?
Que viver é andar de mãos dadas com a morte?
Que já não há tempo a perder?
Antes que seja tarde?... antes que nos percamos
Na ‘Cinza das horas’?
Se eu pudesse emoldurar o silêncio
E parasse o tempo
Para olhá-lo... e mergulhar
No seu olhar... denso, pensante...
Permanente...
Mergulharia, transbordante
No azul sem fim, e buscaria
A borda da moldura para enfim
Observar o horizonte enquadrado marfim...
E seria...
Fim?
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