Inusitadamente eclético, paradoxalmente ambíguo e seriamente disparatado, Beck surgiu no início dos anos 1990 como uma alternativa para tudo o que então se fazia, atraindo a paixão, a admiração ou a angústia de quem ainda estava habituado a ver nos géneros musicais nada mais do que estanques categorias.
Assumindo um vocabulário musical tão vasto - que ia do rock e da folk ao hip-hop ou à música psicadélica, piscando o olho à soul e ao futuro - o músico norte-americano soube trocar de pele ao avançar de cada disco, contando com um dos cancioneiros mais heterogéneos dos últimos tempos.
Da frustração de "Loser" à melancólica "Golden Age", passando pela pseudo-amorosa ode a "Debra" ou pelo cinismo tecnológico de "Cellphone's Dead", há um bocadinho de Beck para todos.
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