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Arménio Carlos: “Os sindicatos representam privilegiados”?

Arménio Carlos: “Os sindicatos representam privilegiados”?

Como representar novas formas de trabalho, com graus de exploração e precariedade que remetem a luta dos sindicatos para as suas origens? E como fazer desaparecer a imagem de partidarização do sindicalismo português? Para responder a isso, contamos neste episódio com Arménio Carlos, coordenador da CGTP.

Agradecimento ao apoio de Duarte Azinheira, Mariana Curado Malta, Zizi Linda Pedruco, Ulika Gisela da Paixão Franco dos Santos, Mário Pontifice, Miguel Heleno, Bruno Conchinha Montalito, Ana Sofia Ribeiro Afonso Lobo Antunes, João Salgueiro, Rafael Remondes, Paulo Areosa Feio, Ana Alice Baptista, Teresa Brandão, Vasco Sá Pinto, Adilia Neiva, Diogo Melo, José António Moreira, João Caetano, Fábio Botelho, José Reis, Teresa Jorge, Viktoriya Zoriy, Daniel Ricardo, Sonia Maria Barrocas, Frederico Prazeres, Pedro Sousa, David Calão, João Alvelos, Francisco Ferreira, RCBugman, Nuno Azevedo Lopes, José Miguel Rebelo Martins, Duarte Lobo Antunes, Carlos Martins e Dina Ferreira.

Comments

Fátima Pio

Ok pra lutar tenho que pertencer a uma classe. Pertenço àquela dos que não têm classe, existe?

Fátima Pio

Ah só um pequeno reparo, a contratação colectiva pertence ao passado e quanto mais depressa o entenderem, mais depressa benificiam todos.

Fátima Pio

Prometo que não volto a comentar nos próximos 3 "Perguntar Não Ofende" Daniel Oliveira. Aquele abraço

Fátima Pio

Resumindo e porque já me excedi nos comentários: 1º As centrais sindicais representam sim um pequene leque de trabalhadores privilegiados, que não auguram como horizonte das lutas, o desemprego ou condições de trablho tão impossíveis que têm que desistir. 2º A CGTP é de facto a única central sindical em Portugal (tiro-lhes o chapéu) completamente a reboque de um partido político que é o PCP (volto a pôr o chapéu) 3º A CGTP deveria ter gente a trabalhar na realidade actual do mercado de trabalho, que tem muito pouco a ver com todas as lutas que advogam: 4º A CGTP devería consciencializar-se de que é o único sindicato em Portugal e ir muito mais além das lutas da malta de t-shirt a condizer marchando por esse país fora, aquela malta que perde um dia de remuneração (talvez...) enquanto outros perdem o emprego porque as greves dos transportes sem alternativa, impossibilita os suburbanos pobres de marcarem o ponto! Esta questão é-me muito cara estimado Daniel Oliveira e no dia em que a CGTP erguer a minha bandeira, eu ergo a deles e entendo as greves que me fizeram perder tanta refeição no frigorífico. ACTUALIZEM-SE! Afinal não temos outro sindicato e é suposto as centrais sindicais lutarem pelos trabalhadores (todos!) principalmente por aqueles que não o podem fazer. E vocês acreditam que sendo um país de micro empresas alguma coisa pode mudar com greves e telejornais? Não, as coisas mudam-se na lei e na fiscalização da mesma e esta sendo má acaba por ser menos má do que a anterior. Estimado Arménio Carlos, a minha bandeira (que espero venha a erguê-la) é a dos trabalhadores privados que conhecem desde o recibo verde ao trabalho sem contrato, em nome de família para sustentar, renda para pagar e bocas para comer.

Fátima Pio

Eu tive um período experimental de 180 dias em 2005, creio que era altamente especializada...

Fátima Pio

O Sr. Arménio Carlos está desfazado do tempo, a possível "oportunidade" de receber o subs. de desemprego na totalidade para a criação do próprio emprego, foi em 2012

Fátima Pio

Boa Daniel, a realidade escapa à CGTP que apenas tem servido para se bater pelos direitos daqueles que já os têm. Os funcionários públicos e funcionários de EP's que perderam um pouco com a troika e aqueles que perderam realmente tudo, que souberam o que eram o desemprego e o respectivo subsídio (que afinal é um direito) com cortes. Não bastava ter pouco, era preciso não ter!

Fátima Pio

Não souberam nem sabem reagir e cumprir aquilo que lhes compete perante os trabalhadores. A CGTP apenas luta e faz escarcéu no público, que é onde os trabalhadores podem fazer valer os seus direitos ou pelo menos lutar por eles. A CGTP deve descer à realidade se quer ser uma central sindical transversal e capaz de ter voz na realidade actual.

Fátima Pio

Excelente início Daniel Oliveira, boa investigação e mais que tudo o toque nos pontos nevrálgicos. Hoje sim Daniel, fez valer o meu euro!

Hugo Rego
Hugo Rego

Há uma grande dificuldade em falar sobre sindicalismo, movimentos sindicais e trabalho. Existem grandes fragilidades nas estruturas, fragilidades essas que foram criadas e alimentadas, quer por Governos, quer por patronato e potenciadas por um nível cada vez mais baixo de exercício da cidadania muito característico dos países da Europa do sul e, particularmente, em Portugal (em claro contraste com os países nórdicos), que se pode observar, não só, na participação em movimentos sindicais/laborais, como também na própria participação democrática, bem visível nos índices de participação eleitoral, sobretudo nas faixas etárias mais jovens.

Por outro lado, houve uma colagem da imagem do comunismo à imagem dos movimentos sindicais, que foi explorada por todos os espectros políticos, embora por razões distintas, acabou por desgastar e estigmatizar termos como "reinvidicação", "trabalhador", "patrão", "capitalismo". Aliado a dinâmicas de transformação e desregulação do trabalho a nível mundial, e à cada vez maior fragilização das capacidades negociais formais, e de facto, das estruturas sindicais, que ajudou a criar uma imagem de "insucesso" das iniciativas sindicais, tudo contribuiu para um cada vez maior distanciamento entre Sindicalismo e Trabalhador, e inclusivé entre Trabalhadores e Partidos Políticos, sobretudo em relação aqueles que exibem claras discrepâncias entre a retórica e a prática política no que toca à promoção e proteção do trabalho, pelo que não será de estranhar uma maior liberdade de adesão e alinhamento ideológicos por partidos mais coerentes nestas matérias.

Arménio Carlos, por quem tenho consideração e ao qual reconheço estar a desenvolver um bom trabalho, não deixa de personificar a polarização ideológica a que hoje se assiste em todo o mundo - Liberalismo vs Socialismo - com a malta que trabalha "entalada no meio".
Nenhuma das filosofias dá respostas cabalmente satisfatórias aos naturais ensejos da Sociedade em geral, e da População Ativa em particular, e poder-se-ia dizer que no meio é que reside a virtude (não tivessem sido, os exemplos conhecidos de "Terceira Via", o que foram) mas, neste particular, a capacidade de Marketing de cada um dos lados é avassaladoramente desproporcional. Tal como é avassaladora a complexidade dos problemas a que se procura encontrar soluções, aos quais é "exigido" às estruturas sindicais, capacidades técnicas capazes de ombrear com os batalhões de peritos das contrapartes, cuja disponibilidade de recursos financeiros, humanos e políticos, que contrasta com os magros recursos provenientes das quotas pagas pelos trabalhadores sindicalizados, transforma isto numa espécie de David e Golias.

E se o panorama já não é agradável, o atual estado da Regulação e Fiscalização em Portugal - formalmente existe mas com limitações enormes ao nível da sua independência, dos âmbito de atuação, da capacidade de análise e resposta estrutural, orçamental e de participação democrática decisional - e da Justiça - com um ordenamento jurídico e arquitectura processual que penaliza fortemente o elo mais fraco - são utilizados como argumentos de pseudo-justiça e pseudo-responsabilidade por parte do Estado (e não só), para fundamentar a existência de equilibrios democráticos que, na prática, resultam num sistema que se limita a atirar a responsabilidade política e negocial para um pântano onde as estruturas sindicais se arrastam e desgastam.

Paralelamente, o Estado, através de sucessivos Executivos Governamentais, tem alinhado numa estratégia de "corroer por dentro", ao alimentar uma canibalização dos movimentos sindicais através do fomento de ingerências entre classes profissionais, co-adjuvadas, muitas vezes, por algumas estruturas - as Ordens Profissionais - que, enquanto extensões do Estado de Direito, cuja missão é regular no sentido de proteger o Cidadão, intervêm de forma a perpetuar corporativismos e sectarizações injustificáveis, corrompendo a legitimidade que lhes é conferida, com a conveniente a atroz complacência dos Órgãos de Soberania, particularmente da Assembleia da República.

E ainda temos o nível supremo - a natureza supernacional da UE e supranacional das multinacionais. Ambas se traduzem numa dificuldade quase impossível de combater, ao transportarem, quer argumentos, quer processos, para fora do âmbito político e jurisdicional nacional (ou servindo de desculpa para tal) que, para além dos efeitos nefastos que implica quanto à necessidade de existirem mecanismos equilibrados, alimenta a cada vez maior perda de dimensão da soberania nacional.

Assim se tem desenvolvido uma imagem de suposto insucesso dos movimentos e iniciativas sindicais, convenientemente alimentado por quem tem interesse em propagar ativamente a mesma, mas que mais não é do que o reflexo de todo este conjunto complexo de barreiras e condicionantes, alheios ao cidadão comum que trabalha uma série de horas por dia, que perde uma série de horas por dia a deslocar-se para trabalhar, com cada vez mais exigências de tempo para dar resposta à sua vida pessoal, e com cada vez menos tempo, e muitas vêzes, pachorra, para compreender estas circunstâncias.
Sejam aqueles que pagar uma quota sindical deveria implicar um quase imediato retorno, sejam os que, não pagando, entendem que os sindicatos devem trabalhar em função "de todos" tout court, ou aqueles que não estão sequer para aí virados, quase todos apenas ambicionam a mesma coisa - respeito, justiça e uma dignidade, devidamente suportadas por salários e condições de trabalho condignas, num ambiente de pacificação laboral e social.